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Bali, A Ilha dos Deuses

Estilo | 14 Nov 2016

Canguu Desa Seni

 

O infinito do presente. Talvez seja este o tesouro que procuram os viajantes que escolhem Bali para confirmar a energia da vida que os move. Que nos move num conceito de felicidade diferente, onde a serenidade e a extensão do tempo ocupam um lugar intemporal. ‘Bali’, a palavra com que esta ilha foi baptizada no século IX deriva de uma expressão nativa que significa ‘adoração’, ‘culto’, ou ‘oferenda’. No positivismo da palavra e depois de um mês na ilha dos deuses, confirmo a vibração especial que a contorna, enquanto morada que atrai anualmente tantos viajantes do Mundo.
Depois de cerca de 30 horas em trânsito para chegar a território indonésio, chego a Bali na luminosidade da noite. O escuro e o desconhecido têm este efeito sensorial, de nos abrir os sentidos numa morada onde somos chamados a chegar de coração aberto.
Bali tem muito de Caos Calmo. É nas grandes perdas ou no esvaziamento de tudo que nos unimos aos deuses para perceber o sentido da vida. E se sou uma grande apaixonada pelas fitas de Nanni Moretti ou Antonello Grimaldi, não tenho dúvida de que o que nos atrai na ilha não é ela ser um destino de praia, ou uma ilha paradisíaca sem ninguém, mas antes uma energia de plenitude que nos desafia constantemente, uma ilha confusa e intensa inundada de viajantes muitas vezes sozinhos, à procura de uma nova forma de estar na vida.
As pessoas. Bali são as pessoas. Um pedaço de terra neste universo onde o reflexo de uma religião se faz sentir como em nenhuma outra parte do Mundo onde eu tenha alguma vez chegado. A cultura hindu testemunha, na sua serena alegria, que afinal a felicidade pode ser o nosso estado natural. Os livros não nos confirmam quando se formou a religião Bali-Hinduísta no país, mas em 500 a.C. a ilha tinha uma predominante influência budista, provavelmente trazida pelos primeiros colonos vindos da China. O hinduísmo da ilha, importado da Índia através dos comerciantes durante o século IV d.C., resultou numa poderosa dinastia hinduísta, absorvida pelas filosofias budistas já existentes, aclamada pelos reis de Java, da qual pouco resta hoje, se exceptuarmos as impressionantes ruínas dos templos de Borobudur. Nascia assim o início de tudo, um momento de ouro onde o êxodo de uma aristocracia de artistas, pensadores e intelectuais, fez acontecer esta ilha de 5.700 km2 como a morada especial como é reconhecida.
A temperatura da ilha é tropical e se Julho e Agosto são os meses mais povoados, a temperatura é a mais amena para a visitar. O seu doce e envolvente calor encontra nestes meses o seu estado mais perfeito e menos húmido.
Para viajar quase até ao outro lado do Mundo, três são as semanas que aconselho como mínimo para conhecer a ilha. Sempre me considerei uma viajante, não uma turista, como distingue tão bem O Chá no Deserto de Bernardo Bertolucci. E nas prioridades defino como a mais importante a de permanecer, esquecer por momentos a medida do tempo e deixar que a vida nos leve livremente. E muitos são os tesouros que o desconhecido nos guarda quando nos entregamos à confiança dos arrozais – talvez por isso tenha perdido a conta aos quilómetros percorridos de mota. Num sentimento permanente de feira popular, numa alegria extasiante que é só possível nas estradas asiáticas, a loucura da aventura rasgou-me um sorriso constante, enquanto me entregava à confiança dos deuses. E se há quem vá para Bali para procurar o amor, relembro uma frase que recebi de um dos viajantes de caminho: em Bali, ‘a viagem será sempre a nossa essência e o caminho é nosso, mas nunca estamos sozinhos’. Há, haverá sempre, um sorriso generoso que não espera nada do Mundo. Esta foi a minha viagem, mas nunca esqueça que no dia que decidir partir, essa será a sua viagem, a mais magnânima de todas.

 


Bali

 

Bukit 

Na Península Bukit rebentam as ondas das mais bonitas praias da ilha. Não espere um destino paradisíaco. As nossas praias Atlânticas são mais apaixonantes, mas Bali, embora não valha pelos areais onde temos de chegar depois de longas aventuras e escadarias, onde sobressaltam muitas vezes macacos atrevidos, possui toda uma envolvente fascinante. Abro assim o pano do The Ungasan Clifftop. De braços abertos ao oceano Índico, a beleza imensa da vista é de tirar a respiração. Com uma villa inteira por minha conta. Em Bali, em hotéis deste tipo de categoria mais luxuosa é normal haver um mordomo. O meu,‘Merta’, que na sua cultura significa ‘bênção’, faz as honras da casa. Na primeira noite sou sobressaltada pela única fauna que viria a encontrar e que tanto me avisaram existir no sobressalto das noites tropicais. Senhoras que viajam sozinhas: de histórias com baratas, escorpiões, macacos e aranhas, dois sapos a fazer amor foram a única doce aparição em quatro semanas. Na envolvente, o Sundays Beach Club é o clube de praia privativo do The Ungasan, com almoços de praia maravilhosos e uma fogueira no final de dia que reúne a cumplicidade dos viajantes desconhecidos.
Numa onda mais descontraída, encontro duas moradas nacionais em território indonésio. Mudei-me para o Sal Secret Spot, onde se respira a onda do surf e se provam as melhores panquecas de banana do planeta. Mas é no Gravity que aposto todas as minhas fichas. Ricky Teixeira Gomes abre-me as portas do boutique hotel mais bonito de Bali. Acabado de abrir, branco imaculado, com aromas de Santorini e detalhes escolhidos a dedo, oferece uma vista deslumbrante e uma estadia que constitui uma experiência perfeita, que acompanha a sofisticação mais urgente de todas, a beleza da simplicidade. Nesta pequena península a Sul da ilha não deixe de visitar a Bingin Beach e provar os sumos do Kellys Warung, beber um copo ao pôr-do-sol e comer as maravilhosas pizzas do Single Fin Bar, ou de se perder pelas famosas bows do The Cashew Tree, um café restaurante mas também templo de boa comida, com uma festa imperdível todas as quartas-feiras onde se dança livremente descalço. A não perder também um fim de tarde no Uluwatu Temple, no Suarga Hotel, e uma visita a Thomas Beach, Green Bowl e Balangan, para mim as menos habitadas e as mais bonitas praias da península.

 

Canggu

Dizem-me que Ubud é a meca do Yoga, mas é no Desa Seni Eco Yoga Organic Retreat and Spa, perto de Canggu, que consigo sentir o horizonte da alma numa outra perspetiva. De cabeça para baixo numa aula de ‘fly yoga’ confirmo o privilégio. Pequenas casas singulares com vista para a horta biológica que constroem os jardins deste hotel sustentável. Além de ter uma equipa que envolve os locais, alguns deles em tempos com condições de pobreza extrema, esta é uma morada para permanecer. Com os lava-pés mais bonitos do mundo, massagens, meditações nocturnas acompanhadas por uma orquestra de grilos, as limpezas da aura selam a singularidade deste pedaço de terra tão especial na ilha.
No centro e num registo lusitano, mais descontraído e acessível, tanto a Villa Paz como a Villa Lua são duas boas opções. Será difícil não ficar marcado pelos pequenos-almoços ou jantares do The Shady Shack e do Betelnut Cafe, duas moradas de um casal australiano que se entregou aos encantos da ilha. Na zona de Canggu não deixe também de almoçar no Crate Cafe, jantar no La Laguna e no Deus Ex Machina, de visitar o Tanah Lot Temple, ou de fazer uma aula de surf do Mondo Surf Village.
Perto de Canggu está a famosa Seminiak que, numa vibração mais consumista – e eu não acho que seja essa a energia que nos eleva à singular simplicidade da ilha –, merece apenas uma tarde, sem perder o Café Bali e o Sisterfields Cafe.

 

Ubud

Apesar de icónica pelo livro Comer, Amar e Orar de Liz Gilbert, nunca fui para Bali com esta referência. O curandeiro Ketut Liyer já partiu deste Mundo e eu acho que Bali é uma viagem para encontrar o amor, sim, mas um amor que se faz sentir na sociedade pela dádiva hindu.
Nas encostas de Sayan ficamos diante de um sentimento de magnitude. Muitos são os campos de arroz que fazem da paisagem de Ubud um postal idílico, uma morada magnetizante onde escolhi permanecer quase dez dias.
É no Como Uma Ubud Hotel que faço a melhor massagem da ilha e sou recebida por uma equipa que, no rigor desta cadeia, se orquestra com a magia doce dos balineses.
No passeio pelos arrozais não pode perder um almoço no Sari Organic ou no Pomegranate Cafe. As mais bonitas e famosas danças balinesas, as Legon, estão no Water Palace Puri Saraswati Temple. Deve entrar pelo Cafe Lotus e não se deixar enganar pelo café banal, pois as traseiras guardam o palácio num postal deslumbrante. Não deixe de almoçar no Clear Cafe Ubud ou no Alchemy, experimentar os Ubud Raw Chocolates e jantar no Bridges ou no Mosaik. Outro programa imperdível é a rota do Bambu, visitando a Green School, as Bamboo Villas, a Big Tree Farms, com almoço no lindíssimo hotel Bambu Indah. Ainda a partir de Ubud, não deixe de visitar os templos Pura Tirta Empul, onde as águas são conhecidas por um ritual de purificação e gratidão, e o Pura Gunung Kawi. E também os arrozais de Tegalalang, as quedas de água Kanto Lampo e Tibumana. Porque está perto do coração de Bali, onde respiram os vulcões dramáticos das montanhas centrais, suba ao monte Batur, que, segundo a crença hindu, é considerado um dos lugares mais sagrados da ilha, dado que, por ser mais alto, está mais perto dos espíritos bons. Mesmo subindo numa romaria de madrugada, esperam-nos macacos donos da cratera, ovos e bananas assadas nos vapores do vulcão, com um nascer do sol deslumbrante.

 

Notebook:

  • O trânsito é infernal, por isso mude de localidade ao final da noite de táxi ou uber e em cada localidade alugue uma mota pelo hotel. Alugar uma mota custa cerca de cerva de €5 /dia e não se assuste se vir galinhas a saltar das, árvores. Em caso de emergência pode sempre invocar os deuses.
  • A gasolina vende-se em garrafas de Absolut Vodka e custa cerca de €0,80.
  • Leve sapatos aquáticos, quase todas as praias têm coral.
  • Fuja de Kuta e de Jimbaran, são confusos e muito turísticos.
  • Quem visita Bali por norma vai às Gili, três pequenas ilhas perto de Lombok. Recomendo a Gili Meno para os casais e a Gili Air para um espírito mais festivo. Mas não espere nada de muito transcendente, exceptuando o snorkeling para ver tudo a 20 metros de profundidade. Talvez faça mais sentido apanhar o barco até Lombok, para mergulhar nas bonitas praias de Kuta, mas prepare-se para as diferenças entre a cultura hindu e a muçulmana.

 

Quando ir:

  • Época seca, de Abril até final de Setembro. Época das chuvas, de Outubro até final de marco

 

Livros que recomendo:

  • Bali, A Cultural History, Arthur Cotterell
  • Under the Volcano: A Story of Bali, Cameron Forbes
  • A House in Bali, Colin McPhee’s
  • Bali, Lost Guides, Anna Chittenden
  • Flavours of Bali, Smudgeeats

 

Bukit Pecatu Gravity


Canguu Desa Seni


Canguu The Shady Shack


COMO Uma Ubud


COMO Uma Ubud


Bali


Bukit Pecatu Gravity


Bali


Bukit Pecatu Gravity


Bukit Pecatu Gravity


Bukit Pecatu Sal Secret Spot


Bukit Uluwatu The Ungasan


Bukit Uluwatu The Ungasan


Bukit  Uluwatu The Ungasan

 

Bukit

theungasan.com

salbalihotel.com

gravitybalihotel.com

facebook.com/kellys.warung

singlefinbali.com

facebook.com/the-cashew-tree

suargapadangpadang.com

 

Canggu

villapazbali.com

airbnb.com – villa lua canggu beach

facebook.com/Theshadyshackbali

facebook.com/Betelnut-Cafe

facebook.com/cratecafebali

facebook.com/lalagunabali

deuscustoms.com/cafes/canggu/

llbc.com

mondosurfvillage.com

sisterfieldsbali.com

facebook.com/daunandco

 

Ubud

comohotels.com/umaubud

umaya-villa.com

roam.co

cafepomegranate.org

cafelotusubud.com

clear-cafe-ubud.com

alchemybali.com

ubudraw.com 

bridgesbali.com

mozaic-bali.com

greenschool.org

greenvillagebali.com

bigtreefarms.com

bambuindah.com

Mont Batur +62 817 568 038

 

Gili Air

slowgiliair.com 

giliairescape.com

scallywagsresort.com

facebook.com/pachamamagiliair

facebook.com/miragebar

 

Gili Meno

seriresortgilimeno.com

karmagroup.com/karmabeach

 

Texto: Sancha Trindade (Autora do programa de televisão ‘A Cidade na ponta dos dedos’ com emissão na RTP3, Económico TV e TAP TV)
Fotos: Sancha Trindade

Sancha Trindade


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