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Carlos Guimarães

Revista Arquitetura | 01 Mar 2016

A MATRIZ DA ESCOLA DO PORTO

Reconhecida internacionalmente pela qualidade do ensino que ministra e pela excelência dos profissionais que forma, a Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto [FAUP] propõe aos alunos uma matriz de aprendizagem que a distingue das restantes instituições europeias e mundiais congéneres.
Carlos Guimarães, diretor da Escola do Porto, esclarece que são os exercícios de projeto, o ensino de atelier, a importância do desenho e o conhecimento da teoria e da história da arquitetura que contribuem para que a FAUP seja uma escola de referência a nível mundial, que procura alcançar “a racionalização do que se pensa e do que se faz”.

O ensino de arquitetura tem estado envolto em teorizações, práticas e polémicas. Como se ensina arquitetura, dado que esta é simultaneamente uma prática e um conjunto eclético de conhecimentos teóricos?

A arquitetura está claramente numa área que intersecta o conhecimento técnico e científico e o saber conceptual, artístico. A arquitetura tem este desafio constante de conjugar o conhecimento científico com a criatividade para encontrar a forma e a expressão dos edifícios adequadas às circunstâncias.
No ensino, esta relação implica muito tempo de experimentação, de saber como é que isto se traduz nos exercícios que são colocados e para os quais as pessoas têm de encontrar soluções. É um longo processo. Por esse motivo, quando se discutiu Bolonha, reivindicou-se que a arquitetura, tal como a medicina, tivesse seis anos e não cinco de licenciatura, pois são áreas que implicam muita matéria, muita transversalidade de conhecimentos.

 

A Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto [FAUP] foi considerada como uma das melhores escolas de arquitetura da Europa. O que leva a esta distinção?

A Escola do Porto é conhecida por vários motivos, que se conjugam e que têm uma relação muito forte entre si. É inegável a qualidade de muitos profissionais que aqui se formaram e que, já como profissionais, produzem obras de arquitetura reconhecidamente relevantes.
Um motivo muito importante relaciona-se com o nosso tipo de ensino, dado que possui uma matriz de grande sedimentação, que vem muito detrás. Nesta sedimentação têm especial relevo quatro aspectos. Um deles é a questão do projeto. O projeto é a coluna dorsal do ensino de arquitetura aqui na casa. Todos os alunos têm, anualmente, exercícios de projeto que são os exercícios dominantes, com grandes exigências nas respostas.Este fator nem sempre tem paralelo em muitas escolas europeias. Outro aspecto do nosso ensino é que ele se aproxima muito do ensino de atelier. O professor está 12 horas em contacto com uma turma durante uma semana e, nessa semana, ele senta-se e discute permanentemente o projeto com os alunos. Assim cada professor sabe muito bem que tipo de raciocínios um aluno faz para fazer evoluir as suas soluções. Ainda outro aspecto relaciona-se com o uso do desenho. Continuamos a ensinar os alunos a desenhar. O objetivo é usar o desenho como um instrumento para analisar, representar problemas e desenhar as soluções. O outro vetor muito importante é o conhecimento das questões ligadas à teoria e à história da arquitetura, que também aqui na nossa casa são ensinadas de maneira pouco comum na Europa.

 

Caracterizados pelo minimalismo, pelo jogo de volumes e pela contenção, os projetos da Escola do Porto convivem atualmente com estruturas arquitetónicas de múltiplas contorções formais e de variadas acrobacias cenográficas. Como é esta convivência? Pacífica?

A Escola do Porto não tem um estilo. A contenção deve considerada como um vetor importante da arquitetura ao longo dos tempos – encontrar a justa medida para a resposta aos problemas. Um dos grandes exercícios é saber distinguir entre a justa medida e os exageros ou insuficiências. Nos exercícios que damos aos nossos alunos procuramos sempre levá-los a questionar as suas propostas, a maneira como veem a arquitetura, como a interpretam e a saber onde está a medida do equilíbrio.
Essa arquitetura que menciona, de excessos, em muitos casos é objeto de enquadramento. Por exemplo, o Museu Guggenheim de Bilbao, de Frank Gehry – é, sem dúvida, uma obra excecional. Mas imagine um aluno que, a propósito de um programa qualquer pequenino, gostaria de fazer algo de semelhante – é uma resposta não adequada. E é esta perceção que os alunos têm de possuir.As necessidades das sociedades têm de encontrar respostas noutro tipo de arquiteturas. Não podemos esquecer que a arquitetura é uma atividade que tem uma utilidade social e pública muito forte, tem de ser habitável e tem de se adequar e de aproveitar as potencialidades do Sítio. A Escola do Porto procura a racionalização do que se pensa e do que se faz. Tudo o que pode ser visto como superficialidade espampanante não tem muito lugar. (…)

Publicado na ROOF 1

Texto: Paula Monteiro
Fotos: Orlando Fonseca

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