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Maria Teresa Horta

Revista Arte + Cultura | 16 Nov 2016

A MULHER QUE OUSA

 

Poetisa em que a linguagem se faz corpo, para quem a escrita é lugar de fruição, espaço onde as palavras se fundem, se enredam e se incendeiam, mulher em demanda da liberdade e da beleza, voz feminina que assume na íntegra o seu papel social, político e público, Maria Teresa Horta deixa que o poema aconteça e se expresse em todos os sentidos, deixa que ele se/a exponha, apaixonada e livre.
Nesta língua deslumbrante e rica que é a nossa, Maria Teresa Horta torna lírico e audível o desejo, o prazer expressos no feminino, num grito de mulher que se institui como entidade com a capacidade e o poder de revelar a sua essência, como sujeito e ser pensante. 

Quando, em 1971, decidiu, com Maria Isabel Barreno e Maria Velho da Costa, escrever um livro a seis mãos com base na obra Lettres Portugaises, esperava a reação que as Novas Cartas Portuguesas obtiveram?

Durante o tempo do fascismo, qualquer escritor que optasse por temas proibidos, e era tudo proibido, considerava essa reação expectável. As Novas Cartas Portuguesas tiveram como impulso a reação que obtivera o meu livro Minha Senhora de Mim. Quando este livro foi publicado deu-se um cataclismo. Fui perseguida, espancada, ameaçada. Eu, a Maria Isabel Barreno e a Maria Velho da Costa encontrávamo-nos semanalmente e tínhamos um projeto de escrita conjunta. Não sabíamos ainda o tema sobre o qual escreveríamos. Depois das ondas de reação ao Minha Senhora de Mim, a Maria Velho da Costa diz: “Como é possível que uma mulher sozinha faça este burburinho todo? Então o que acontecerá quando forem três?” E assim escrevemos as Novas Cartas, com plena consciência das consequências da sua publicação.

A figura de Mariana Alcoforado serviu de mote para o V/ livro, onde questionam o conceito de feminino, próprio de Seiscentos e não tão distante dos anos 70 do século XX. Existe de facto este paralelismo?

Mariana Alcoforado serviu de pedra de toque. Foi escolhida por causa do paralelismo que era possível estabelecer entre a mulher de Seiscentos e a dos anos 70. Paralelismo em termos da condição da mulher na sociedade, da sua coisificação. A Mariana foi colocada pelo pai no convento, foi encarcerada. As mulheres no fascismo estavam metidas num sistema de forças, tinham um papel subalterno, eram também encarceradas.

A temática do corpo feminino é transversal em toda a S/ obra. O que a levou a optar por este erotismo? 

Não se opta. Acontece. Sou uma mulher dos sentidos e sempre escrevi poesia do corpo. Tenho uma poesia muito interveniente socialmente. Sempre escrevi sobre a liberdade, a paixão, o corpo, a situação da mulher, do país. Há poemas que são dados e há aqueles que são construídos. Os poemas que são dados não são alteráveis, estão feitos, tudo o que se mudar é negativo. Há outros poemas, a maioria, que as pessoas constroem. Mas o poema não é encomendado. Ele nasce, ele brota. Ele acorda-me de noite. Cada vez a poesia é uma presença mais constante em mim.
(...)

Publicado na ROOF 5

 

                       

                       

                       

 

Texto: Paula Monteiro
Fotografia: Miguel Costa

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