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Teresa Lago

Revista Arte + Cultura | 03 Mar 2016

UM PUZZLE DE ESTRELAS

 

Foi a componente de puzzle que inicialmente atraiu Teresa Lago para a astronomia e, mais tarde, para o estudo de estrelas de formação recente. Principal responsável pelo avanço, em Portugal, da astronomia, graças à aposta no sector do ensino, na investigação e na colaboração internacional, Teresa Lago impulsionou nacional e internacionalmente a divulgação desta área da ciência. Recentemente nomeada como secretária-geral da União Astronómica Internacional para o triénio 2018-2021, a organização da astronomia à escala global, Teresa Lago continua o estudo da matéria estelar, do pó de estrelas de que todos somos feitos.

 

P: Afirmou que a astronomia possui uma maior componente de puzzle do que outras áreas científicas. A astronomia é um quebra-cabeças cosmológico?

R: A astronomia é diferente de outras áreas próximas, como a Matemática ou a Física, porque enquanto nestas há um laboratório onde se fazem experiências, na astronomia não podemos experimentar. Os nossos objetos estão extremamente distantes. Fazemos observações, depois medidas sobre essas observações, tentativas de criar um modelo que explique o que se mediu e, depois, a validação desse modelo. A astronomia é um puzzle intrincado e interessantíssimo, não só porque os objetos estão a enormes distâncias, mas também porque têm condições físicas extremas.

P: Contribuiu profundamente para o estudo e para o ensino da astronomia e, consequentemente, para a sua evolução. Em termos académicos, cria, em 1983, a licenciatura em astronomia na UP e, 20 anos mais tarde, o programa de doutoramento desta ciência. Desde os S/ tempos de estudante, o que mudou no ensino da astronomia em Portugal?

R: Mudou essencialmente a integração da investigação na Universidade. A investigação científica era até então extremamente insipiente e desligada do ensino. A grande mudança foi a exposição e o envolvimento dos alunos na prática da investigação científica e a criação de redes em parceria com muitos outros países europeus e não europeus. Associados, temos maiores compromissos e ambições e conseguimos ir muito mais além.

P: Quando propõe a criação do Centro de Astrofísica da Universidade do Porto [CAUP] e depois quando o funda, o projeto surge num contexto quase de aridez em termos de instituições desse tipo em Portugal. Como nasceu o projeto e como se desenvolveu?

R: O José Mariano Gago, na altura presidente da JNICT [Junta Nacional de Investigação Científica e Tecnológica], antecessora da FCT [Fundação para a Ciência e a Tecnologia], a estrutura responsável pela investigação no país, organizou as primeiras Jornadas Científicas, em 1986, para as quais convidou investigadores de várias áreas a prepararem propostas de desenvolvimento dos seus sectores. A mim pediu uma proposta de desenvolvimento da astronomia em Portugal. Decidi abordar nela diversas componentes: formação e investigação, ambas ainda muito pouco desenvolvidas, e também a participação em organizações internacionais essencial à internacionalização e ao acesso aos grandes telescópios do mundo, concretamente a nossa associação à Organização Europeia da Astronomia, que é o ESO, o Observatório Europeu do Sul. Assim dessa proposta global resultou, para além do financiamento de projetos de investigação, a criação do CAUP, a possibilidade de colocar alunos recém-licenciados a trabalhar com colegas no estrangeiro em instituições com grande tradição de formação e de investigação, criando uma rede para as futuras áreas do CAUP. A concretização simultânea destas várias componentes permitiu-nos um enorme avanço.(…)


Publicado na ROOF 1


Texto: Paula Monteiro
Fotos: Orlando Fonseca

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