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Vhils

Revista Arte + Cultura | 03 Mar 2016

O ELOGIO DA DESTRUIÇÃO

 

Os rostos que desenha comunicam como se tivessem voz. Esta foi a forma que Alexandre Farto, aka Vhils, encontrou de tornar visível o invisível, de trazer a debate temas e contextos que permanecem silenciados ou sobre a sombra de um mundo amplamente global. Com uma intervenção artística multidisciplinar – da pintura stencil à escultura, passando pelas explosões de pirotecnia, modelação 3D e vídeo –, Vhils foi considerado, em 2015, a personalidade do ano pela Associação de Imprensa Estrangeira em Portugal, o português que mais contribuiu para levar o nome do país ao estrangeiro. À ROOF, Vhils conta como participar no espaço público é “um verdadeiro ato democrático”.

 

Se o seu rosto estivesse esculpido na parede de uma qualquer cidade no mundo o que é que deveríamos ou precisaríamos de saber sobre ele?

Talvez que, no final de contas, todos temos um rosto, uma identidade e que somos humanos. O mundo precisa de ser mais humano. Com dignidade.

Em que momento da sua vida começou a explorar a técnica, ou técnicas, que hoje tornam o seu trabalho conhecido e valorizado mundialmente?

A maioria das técnicas que tenho vindo a aplicar nos vários corpos de trabalho que desenvolvo hoje deve a sua origem aos dias em que pintava graffiti ilegal, no início da década de 2000, de vários processos de inscrição do nome em várias superfícies, como paredes e comboios. Ou seja, apesar daquilo que apresento hoje não ser graffiti, deve-lhe muito em termos de ferramentas, técnicas e ideias. É daí que vem o conceito de criar através de métodos destrutivos, recorrendo a uma estética do vandalismo que se apoia em processos de manipulação e subtração dos materiais e superfícies para desenvolver uma reflexão sobre o espaço urbano no mundo contemporâneo, as comunidades que nele habitam, a aproximação cultural a que temos vindo a assistir através do processo de globalização, assim como as assimetrias que este produz e a crescente homogeneização cultural em curso. Em suma, é um misto de técnicas que vêm do graffiti, do stencil e de outras que fui desenvolvendo através da experimentação com materiais que têm origem no espaço urbano. Costumo pensar que a obra, no final, é um produto do caos da cidade, do meio onde cresci e das influências que tive na minha vida.

Porquê o mural e o que é que ele permite criar que outras superfícies não o fazem?

Para mim, todas as superfícies ou materiais são suscetíveis de serem trabalhados, desde que apresentem boas camadas e tenham um determinado valor histórico ou simbólico que se enquadre dentro da reflexão que o trabalho visa desenvolver. Além das características materiais e técnicas que permitem trabalhar diretamente com superfícies que têm vindo a absorver características dos locais onde se situam, as paredes oferecem a oportunidade de desenvolver trabalho em grande escala no espaço público que será visto por e terá um impacto junto de um público alargado.

Bruce Mau disse “permite-te o gozo de poder falhar todos os dias”. Falhar é uma condição para a evolução do processo criativo?

Sempre, tal como o ato de destruição também é. No meu trabalho, quer o erro, quer o resultado inesperado não são vistos de forma negativa. Nos processos de experimentação que desenvolvo muitas vezes são os erros que apontam novas e inesperadas direções que dão origem a corpos de trabalho. (…)

Publicado na ROOF 1

Texto: Cátia Fernandes
Fotos: Vhilstudio

Vhils

 

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