Ana Barros

A ARQUITETA INSTAGRAMMER

 

Ana Barros é arquiteta, vive em Viena, e foi a primeira portuguesa a conseguir trabalhar exclusivamente como instagrammer. Criou a sua conta de Instagram em 2010 e as publicações diárias tornaram-se um vício. A liberdade criativa que sentia e a possibilidade de viajar frequentemente foram os motivos principais para Ana deixar de lado a arquitetura e ser instagrammer profissional. Soma e segue e, em março de 2016, fundou a agência We Are Better.

 

Como é que tudo isto aconteceu?

Foi por acaso. Saí de Portugal muito mimada porque trabalhava com um ex-professor e tinha liberdade para ser super criativa, mas tive sempre vontade de trabalhar no estrangeiro com uma equipa internacional. Escolhi Viena, mas quando cheguei ao escritório não tinha o mesmo ambiente – eu era só mão-de-obra de trabalho. Fiz o download do Instagram quando saiu, comecei a postar imensas fotografias e, como fui uma utilizadora muito ativa no início, o próprio Instagram puxou pelo meu canal e tornou-o bastante visível, o que fez com que eu recebesse imensos seguidores. Passados uns anos atingi os 300 mil seguidores e comecei a conseguir trabalhar com marcas, que me pagavam para criar conteúdos para elas e fazer publicidade na minha conta. Em 2015 deixei o meu trabalho para seguir este sonho.

 

Quando é que percebeste que querias abandonar a arquitetura, passando a ser instagrammer a full time?

Foram quase três anos a viver duas vidas. Chamava ao Instagram a minha second life. Eu tinha uma vida super boring durante a semana e depois tentava conciliar os clientes todos ao fim de semana. Era capaz de estar no escritório a fazer desenhos de uma casa de banho para um banco e depois ao fim de semana ir para Israel tirar fotografias. Fiz isso durante algum tempo, nunca contei aos meus chefes porque não havia abertura para isso. Até que um dia viram uma reportagem num jornal austríaco e saíram do gabinete a perguntar `Ana, o que é isto?`. E eu tive de explicar. Acabou por ser bom porque eles ficaram com medo de me perder e deram-me muito mais liberdade criativa. Gradualmente fui tendo mais propostas, fomos tentando arranjar uma maneira de reduzir o meu horário, mas houve um momento em que eu disse `chegou o dia`.
(…)

Publicado na ROOF 12

 

                      

 

Texto: Isadora Faustino
Fotos: Ana Barros

@anasbarros

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