Herman José

Herman José, o Senhor entertainment.

Ator, apresentador e humorista português.

 

O que é que lhe rouba a atenção nos dias de hoje?

Tudo. O tempo transformou-me num ‘cusco’ inveterado. Tudo me interessa, tudo é passível de me fazer mergulhar numa viagem de total voyerismo.

 

Qual o seu lugar preferido para criar ou isso não existe para quem cria, escreve, desenha…?

O meu local de trabalho é no meio do campo. É no meio dos verdes, e do silêncio, que escrevo, que crio, que ensaio. A minha casa em Lisboa serve-me, sobretudo, de apoio em véspera de espetáculos ou gravações.

 

Que importância têm o designe a arte na sua vida?

Têm toda. A estética e o rigor do gosto ajudam-nos a tapar os engulhos e as tristezas com uma espécie de manto diáfano, que nos torna o dia a dia mais interessante e suportável.

 

Tem memória do primeiro objeto de design que adquiriu?

Um candeeiro de pé da Terzani que me transformou um canto desinteressante da sala numa espécie de galeria de arte.

 

E o último?

Uma fruteira “La Stanza dello Scirocco” da Alessi para guardar medicamentos. Foi a solução que inventei para dar dignidade a uma deprimente seleção de caixas de comprimidos.

 

Em vários momentos observámos que o Herman aprecia objetos especiais – carros, relógios, acessórios de moda e viagem. Para si, qual o verdadeiro sentido da palavra luxo?

O meu conceito de luxo foi evoluindo com o tempo. Hoje em dia é, sobretudo, contrariar a minha inevitável decadência física, lutando para que tudo o que me envolva mantenha mínimos de estética, arrumação e decência. A minha última loucura foi comprar uma chapeleira Vuitton para levar o chapéu de coco do “Senhor Feliz” para os espetáculos. Tanta e tão boa memória passou a viajar com a dignidade que merece.

 

Que hotel o faz sentir em casa? Porquê?

São tantos. Mas o meu poiso de sonho é o Hotel Ritz, em Paris. Consegui descobrir no mercado o mesmo ambientador com aroma a “Ambre du Nepal” com que eles perfumam o seu hall de entrada. Consigo assim, e com recurso às glândulas olfativas, transformar qualquer espelunca em palacete com vista para a Plâce Vendome.

 

“Antes de sair de casa, olhe-se no espelho e tire uma coisa” é uma das frases conhecidas de Coco Chanel. Tem alguma máxima/credo comparável relativamente àquilo que faz?

Passei a usar essa máxima aplicada às palavras. Quando revejo as minhas indignações escritas retiro-lhes as partes mais violentas. Já não tenho alma para incendiar grandes batalhas, nem comprar grandes guerras.

Publicado na ROOF 13

 

 

 

Texto: Cátia Fernandes

Herman José

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