“O Pritzker deu-nos o poder para sermos irresponsáveis e livres.”
Importa determo-nos nas palavras de Juan Cerda, sócio de Alejandro Aravena, Gonzalo Arteaga, Victor Oddó e Diego Torres. Em entrevista à ROOF Magazine, o arquiteto, que mais tem estado envolvido no primeiro projeto de arquitetura da ELEMENTAL em Portugal, fala de como têm encontrado nas pessoas, nos lugares, nas cidades, a resposta às questões que formulam em cada projeto que iniciam. Alejandro Aravena, fundador da ELEMENTAL, é o rosto mais visível do gabinete chileno e a quem foi entregue o Pritzker em 2016 mas é em grupo que procuram sintetizar todas as forças da arquitetura, assumindo-se livres para abordar os verdadeiros problemas, sem medo de errar.
De que forma é que a arquitetura deve cuidar da vida?
A nossa forma de definir a arquitetura está relacionada com os lugares onde as pessoas vivem. Não é mais complicado do que isso, mas também não é mais simples, e tem a ver com a capacidade de síntese que a arquitetura tem de traduzir, numa forma, muitas forças em jogo. Forças que vêm do quinto mundo, das pessoas, do lugar, da construção. O poder de síntese da arquitetura é a grande ferramenta que nós, arquitetos, temos para resolver as necessidades que surgem nas sociedades. Por isso, mais do que uma responsabilidade com o bem público, sempre gostámos de usar o desenho para resolver grandes desafios e, para nós, o primeiro com o qual nos deparámos foi o da habitação social, a quantidade de restrições económicas e sociais que ela tem, obrigando-nos a perceber que não existia conhecimento suficiente para resolver os desafios a ela associados. Por não haver esse conhecimento, começámos a mover os limites da disciplina, criando uma forma que resolva esta problemática. No caso da habitação social, o que fizemos foi desenhar uma meia casa boa e tu, com a tua outra metade, fazes com que a tua família a complete. Portanto, a força em jogo não só tinha a ver com o orçamento disponível, como também com a capacidade da família contruir com os seus próprios meios.
Há aqui a consciência do cidadão enquanto participante da obra…
Totalmente. A autoconstrução e a informalidade têm sido vistas como um problema. Acreditamos que são o motor sobre o qual devemos usar e produzir sinergias para responder às exigências da urbanização que o planeta está a viver.
Quanto tempo se envolvem para perceberem em que terreno vão intervir?
É distinto para cada projeto, mas o mais importante é que usamos sempre a ignorância a nosso favor. Não somos especialistas em nada em particular, por isso consideramo-nos mais um do tankdo que um think tankporque aprendemos a fazer as coisas e a solução está no projeto, em concreto, e não na investigação, no estudo. A nossa forma de abordar o projeto é rápida. Podes ver o plano de reabilitação da cidade de Constituição. Foi um plano que fizemos em 100 dias, onde respondemos a todas as necessidades de uma cidade que estava 70% destruída. Infraestrutura, espaço público, proteção contra tsunamis, habitação social, desenvolvimento económico, tudo foi respondido em 100 dias. A intuição profissional é a arma mais poderosa e quando chegamos a um lugar procuramos avaliar todas as restrições e formulamos rapidamente uma pergunta. Uma pergunta formula-se com a comunidade. Não há nada pior do que responder corretamente a uma pergunta errada.
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Publicado na ROOF 14

AMILL, Qatar

Centro Innovación UC, Chile
Centro Cultural, Constitución

Villa Verde

Quinta Monroy

Centro Innovación UC, Chile

Alejandro Aravena, Juan Cerda, Victor Oddó, Gonzalo Arteaga, Diego Torres
Texto: Cátia Fernandes

