Um sopro de modernidade

 

Há projetos que se demoram no tempo. Vivem noutra época, existem em vidas distintas, de forma distinta. Este é um deles. Situado na cidade do Porto, ele renasceu há pouco tempo com a intervenção de Miguel Ferraz e levou cerca de dois anos a completar-se, a existir novamente. É admirável o que podemos sentir quando entramos num espaço pela primeira vez, especialmente numa casa. Tornamo-nos intrusos convidados, é-nos entregue o mapa dos espaços privados, ocultos a quem atravessa o passeio do lado de fora. Olhamos a cadeira de eleição do casal, a cozinha que prepara banquetes para a família, amigos ou clientes, e espreitamos os quartos, os mais íntimos lugares da habitação. Responsável pelo projeto, Miguel Ferraz acompanhou-o desde a compra do imóvel do amigo-proprietário-cliente. O briefing foi simples: não houve briefing. “O cliente deixou tudo ao meu critério. É uma responsabilidade redobrada porque deixou-me fazer aquilo que eu gostaria de fazer, mas é um risco porque a margem de manobra é muito grande. E eu sabia que tinha de ir ao encontro daquilo que ele pretendia. Apresentámos o projeto de arquitetura e decoração e não mexeu em nada”, confessa Miguel Ferraz. Quatro quartos, este foi o único “pedido” do cliente. A memória da casa foi preservada no sentido em que serviu de cápsula para todo o interior construído de raiz. O clássico sente-se na habitação, mas é o contemporâneo que domina.
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Publicado na ROOF 16

 

Texto: Cátia Fernandes
Fotografia: Isadora Faustino

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