AnahoryAlmeida

Intemporalidade e conforto.



Ana Anahory, arquiteta de formação, e Felipa Almeida, formada em História da Arte e em Estudos Curatoriais, juntaram valências em 2011 e fundaram o AnahoryAlmeida, um atelier de conceção e criação de projetos de arquitetura, design de interiores e mobiliário. Desde então, o seu trabalho tem-se focado, maioritariamente, nos projetos de interiores de restaurantes e hotéis. Em entrevista, Ana e Felipa contam-nos como tudo começou e aquilo que mais valorizam nos projetos dos lugares especiais que criam.


Como é que tudo começou?

Tudo começou com um pedido do José Avillez para o primeiro projeto, o primeiro restaurante dele. Foi aí que começámos a trabalhar juntas. Como o José Avillez continuou a abrir restaurantes, continuámos a fazer interiores, juntas. No segundo ou no terceiro projeto, entendemos que devíamos dar uma continuidade ao trabalho já feito e estabelecer uma colaboração. Não foi de uma maneira muito pensada. Foi acontecendo. 

Foi um acaso?

Foi um acaso… foi-se construindo.

A vossa abordagem é bastante multidisciplinar. Que mais-valias e vantagens traz ao vosso trabalho essa multidisciplinaridade? 

Possibilita-nos trabalhar projetos com uma linguagem mais forte. Que não vivem só de arquitetura… são mais integrados e convocam outras artes. Nos anos 50 e 60 em Portugal era uma coisa que se fazia muito. Havia muitos ateliers que não eram compostos, apenas, por arquitetos. Também se faziam de artistas, ceramistas, pintores. E isso foi-se perdendo um bocadinho e nós achámos bonito voltar integrar as artes e a arquitetura no mesmo atelier. 




Consideram que é uma tendência, essa integração? 

Podia acontecer mais, ainda há uma separação. A arquitetura de um lado, as artes do outro. Achamos que os projetos ganham muito em ser inteiros, completos, pensados em conjunto.

Como é que se criam espaços e lugares especiais? Quais são os elementos que não podem faltar?

Como ponto de partida, a zona onde se insere. Depois, tem muito que ver com o conceito que o cliente traz consigo e o que quer. Os clientes têm sempre o projeto já um bocadinho sonhado, imaginado. Parte sempre de uma vontade gastronómica ou de um espaço que querem preencher e habitar. No fundo, a alma do projeto começa a partir daí. Depois, fazemos uma viagem pelo artesanato e pela tradição cultural e estética da região onde vamos desenvolver o projeto. Ou seja, o projeto parte obviamente do sonho do cliente e nós damo-lhes continuidade. 

Há, portanto, uma base exploratória, uma pesquisa muito grande da vossa parte…

Tentamos! Achamos que isso é que confere personalidade ao projeto. 




A ROOF conheceu de perto um dos vossos projetos, o São Lourenço do Barrocal. Além de bonito, é um projeto que nos leva, efetivamente, às raízes do Alentejo…

Sim! É de sublinhar que foi o projeto para o qual tivemos mais tempo para trabalhar. Isto foi muito importante. Tivemos o tempo todo da obra para poder explorar, fazer protótipos, conhecer a história da herdade, da família, viajar pelo país, procurar os artesãos certos. Foram dois anos. Isto não existe. É ouro! É muito raro e faz muita diferença.

Quando não têm esse background mais pessoal a explorar, há mais liberdade para desenvolverem o vosso conceito?

O facto de existir uma história não deixa de nos dar liberdade. Às vezes, essa história, acaba por tornar o projeto mais interessante, até. Temos um caminho a seguir. Agora, no caso dos restaurantes, está tudo em aberto. 




Vocês trabalham muito com a madeira e o latão. Assumem-no como uma escolha muito própria. Como é que este tipo de materiais enriquece o vosso trabalho?

Trazem-nos intemporalidade, naturalidade, conforto. É, sobretudo, pela vibração que trazem, por serem naturais. São harmoniosos. Ajudam, realmente, a criar ambientes confortáveis. Sempre que conseguimos, estes materiais são portugueses. 

Se tivessem que definir o vosso estilo, de alguma forma, como é que o fariam?

Uma coisa que procuramos sempre nos nossos projetos é a questão do conforto e da durabilidade. Têm de ser intemporais! Além disto, há sempre um bocadinho de Portugal nos nossos projetos. 

O que há de mais desafiador em ir ao encontro de diferentes tipos de conceitos e projetos?

Responder ao cliente e oferecer-lhe um projeto que o faça feliz. 


Texto
Mariana Ribeiro
Fotografia
Philippe Simões

Web
AnahoryAlmeida

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