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Álvaro Siza Vieira

Revista Arquitetura Entrevistas | 01 Mar 2016

A MATÉRIA LUMINOSA

Arquiteto das formas modeladas pela luz, das estruturas que se estabelecem como recetores/emissores de luminosidade, Álvaro Siza Vieira parece ter descoberto os caminhos que a luz natural percorre por entre as densidades dos materiais, parece tornar concreta a diáfana substância que a luz constitui.

Nos gestos de Siza, na sua mão que flui pelo papel, faz-se também luz no sentido de que o desenho é uma investigação que potencia uma ou várias descobertas. Nessa mão bailarina sobre a folha de papel, quedança em intuições de movimento e de formas, criam-se intimidades plásticas e técnicas, para que assim a arquitetura e a arte aconteçam.

Afirmou: “Se ignoramos o homem, a arquitetura torna-se desnecessária”. Esta dimensão humana da arquitetura por vezes anda arredada dos projetos arquitetónicos, com a forma a ganhar predominância sobre a função. Como conciliar a dimensão formal e a funcional?

São coisas complementares. A arquitetura é um serviço, refere-se a funções, a programas, mas vai para além disso. O que se constrói pertence a uma empresa, a um particular, ao Estado, mas no fundo pertence a todos. A arquitetura interessa a toda a população. A grande função da arquitetura é exatamente a beleza. Não é apenas o modo como se organiza o interior de uma casa, mas também a maneira como se posiciona na cidade, como se relaciona com o que já existe, como o transforma. Isto é a beleza da arquitetura.

 

Uma obra arquitetónica é um lugar que se acrescenta num lugar. Como deve este novo lugar ocupar o pré-lugar?

Depende de qual é a finalidade do projeto. O projeto faz parte da paisagem, relaciona-se com o que já existe e abre eventualmente potencialidades para o futuro. O natural é que o novo projeto se instale harmoniosamente no lugar que já existe. Mas nem sempre acontece assim. É claro que se relaciona com o que já existe, mas também há uma dimensão de transformação que, por vezes, é o oposto. E, como sempre acontece com a arquitetura, há que resolver as contradições.

 

O desenho é essencial no S/ processo de conceção e declarou que “a procura do espaço organizado passa pelas intuições que o desenho subitamente introduz nas mais lógicas e participadas construções”. Desenha para tornar percetível o enigma das coisas e do mundo?

O desenho é um instrumento, como é o computador, o desenho por computador, como é simplesmente pensar em abstrato. Pode-se fazer um projeto sem fazer desenho nenhum. Mas a mão ajuda, há uma complementaridade. A mão, e o que ela tem de intuitivo, de gestual, é também um instrumento que utilizamos. É intuitivo, mas é evidente que por trás dessas intuições estão experiências, viagens, contactos, estudos que são tão extensos que passam a ser material do subconsciente, que aflora quando é necessário.

 

Sempre afirmou o papel social da arquitetura. Na 15.ª Bienal de Veneza, Portugal vai ser representado pela exposição de quatro projetos de habitação social que criou em Veneza, Berlim, Haia e Porto. Como pode a arquitetura contribuir para estabelecer a importância do relacionamento com as pessoas?

Atendendo ao que são realmente essas relações, não as apagando no sentido só de obter um resultado estético, que seja apreciado, mas atendendo ao que está por trás do desejo ou da iniciativa de realizar esse projeto. Existem diferentes processos e métodos que dão os dados do programa, desde os inquéritos até ao contacto direto com as populações. (…)

Publicado na ROOF 1

Texto: Paula Monteiro
Fotos: FG + SG | Architectural Photography

 

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